domingo, 31 de janeiro de 2010

MASHUPS pelos maiores MEXAPEIROS do Brasil


O tipo de montagem conhecido como “mashup” chegou pra ficar, é o que mostra a evolução do estilo no mundo inteiro e o sucesso entre o público, que anseia por novidades e ao mesmo tempo adora referências do universo pop. Mais um sinal disto é a maior festa dedicada ao gênero, a norte-americana Bootie, chegando periodicamente ao Rio de Janeiro a partir de maio, depois de uma edição “beta” muito bem sucedida em Brasilia, no ano passado.

Aqui vão 5 perguntas para os principais expoentes do mashup no Brasill: Faroff (27), João Brasil (31), Brutal Redneck (33) e André Paste (18)


1 - Como voce começou a se interessar pelo mashup e o que te inspirou a começar a faze-los?


FAROFF: Quando me mudei para os EUA tive contato, em 2006, com o álbum The Beastles (Beastie Boys vs Beatles) do dj BC, de Boston. Achei demais e decidi que tinha que me envolver com mashups. Eu estava querendo compor e produzir, e como estava distante do Móveis (Coloniais de Acaju, minha banda na época), senti que os mashups eram a forma ideal de fazê-lo. Compor com as músicas dos outros. Foi amor ao primeiro corta-e-cola. E quando começa, não dá pra parar. Daí vieram os primeiros convites no Brasil, nos EUA, os vídeos...

JOÃO BRASIL: Eu começei a fazer colagens sonoras na faculdade de música, na Berklee. Lá fazia colagens clássicas e experimentais, colagens com vozes, misturava Villa-Lobos com Varese... Quem me inspirou a fazer colagens sonoras usando música pop foram os jornalistas Bruno Natal e o Alexandre Matias. O disco Feed the animals do Girl Talk foi o que me fez fazer o disco Big Forbidden Dance.

BRUTAL REDNECK: Faço parte de uma banda de rock eletrônico chamada Trilöbit. A banda tem 5 anos. No processo de criação das nossas músicas sempre rola uma colagem de um trecho de música ou acapella, pra tirar um sarro. Nesse tempo fiz alguns testes de mashups. Ano passado tivemos o prazer de discotecar na boate paulista "A loca" e por sorte tocamos antes da dupla californiana "A plus D". Trocamos CDs e fiquei vidrado nos mashups deles e comecei a estudar e treinar os mashups até se tornar um vício!

ANDRÉ PASTE: Há uns 3 anos atrás resolvi fazer um curso de produção de musica eletrônica, sem muita pretensão de realmente começar a produzir, até que eu ouvi o Big Forbidden Dance do João Brasil e vi que era isso que eu queria fazer e comecei a fazer meus mashups de brincadeira.



2 - Pra você, quais os maiores nomes do mashup fora do Brasil?

FAROFF: Temos aí grandes nomes como o Party Ben e da nova geração, o Mad Mix Mustang (o cara é bom!). Obviamente, o A+D é a dupla que mantém a cena ativa mundo afora, não só produzindo faixas mas também organizando as festas Bootie pelo mundo. Eles são os maiores divulgadores da cultura mashup. O Girl Talk é também um nome muito conhecido, mas ele não é inserido na cultura mashup, traçando sua própria história separadamente.

JOÃO BRASIL: Girl Talk, John Oswald e 2 many Dj's

BRUTAL REDNECK: Com certeza o "Danger mouse" é um ícone do estilo.
A dupla "A plus D" é uma das minhas favoritas.
E adorei o último trabalho do "DJ Lobsterdust".

ANDRÉ PASTE: O maior nome pra mim é o GirlTalk, mas também gosto muito de 2ManyDjs, A+D, Loo & Placido etc.



3 - O conceito mashup vai se esgotar como um modismo qualquer ou as possibilidades são infinitas e é uma cena que está apenas começando?

FAROFF: Eu sinceramente acho que a indústria fonográfica está em um processo sem volta de transformação radical. Os padrões antigos não vão valer mais muito em breve. Não tem como você manter as mesmas lógicas do passado com a internet e as novas tecnologias pipocando a cada dia. Os artistas que perceberem isso logo vão sair ganhando. Veja o caso do Radiohead. As pessoas vão baixar, ripar, estripar e remixar suas músicas de qualquer jeito, então a melhor forma é entender isso e jogar de acordo. Já tem um monte de artistas soltando as faixas (baixo, bateria, guitarra) de suas músicas na internet para as pessoas reciclarem, criarem etc. O jogo mudou, não é mais uma gravadora, a TV e a rádio te impondo o que ouvir. Cada um vai atrás do que quer. Vejo tudo isso como um processo maior de relação direta entre o artista e o público onde os dois lados contribuem. De certa forma, o artista de mashup é um pedaço do público respondendo aos artistas originais das faixas com suas criações em cima das criações já existentes. Acho que o mashup é a cara da nossa época, em se recicla tudo, reinventa, refaz, copia-corta-cola, revisita, mistura mídias e gêneros. A gente vê isso na moda, no cinema. E na música também. Acho que o mashup tem um bom futuro pela frente. Inclusive partindo para novas fronteiras, como a mistura de vídeo também.

JOÃO BRASIL: Para mim são infinitas, sempre vai ser possível reciclar o que existe. É uma cena eterna.

BRUTAL REDNECK: Creio que o mashup existe desde os primórdios das discotecas ou das pickups. No começo da House music eram feitos basicamente mashups, pois não estavam sendo lançados muitos discos na época e a galera se viu obrigada a reciclar o que já tinham. Muita gente já fazia isso mas não rotulava como mashup.
Creio que veio pra ficar, pois além de música o mashup é uma forma de arte e expressão que tem como base e matéria prima todo o universo musical, portanto infinita e sempre crescente e que ainda conta com a soma de outras expressões como o vídeo, o desenho, a performance ao vivo, figurino, etc..

ANDRÉ PASTE: Acho que o mashup é inesgotável! Sempre vão aparecer novos mashups. A cena esta retornando agora, pelo que eu sei o ápice do mashup foi em 2005, mas 2010 é o ano do mashup no Brasil! hahaha



4 - O que voce recomenda pra quem quer começar a se aventurar a fazer mashups?


FAROFF: Cabeça aberta, não ter preconceitos em misturar estilos, épocas, regiões. A beleza do mashup é isso!

JOÃO BRASIL: Aprendam a usar um software que edite áudio (Eu uso o Ableton Live), cabeça aberta e experimente sem medo de errar.

BRUTAL REDNECK: Estudar teoria musical é uma boa. Não precisa ser um expert (eu não sou), mas é bom entender o básico de música.
Estudar softwares de áudio é algo prioritário. Programas de edição, sequenciadores, midi, plugins, multi pistas.
Creio que a pesquisa incansável é a chave para a produção de mashups. Ficar ligado nas novidades, pesquisar músicas do passado, músicas estrangeiras, construir uma boa discoteca e principalmente brincar com a música. Escutar um som e imaginar outro que caiba ali. Explorar os dois lados de um som estéreo em busca de vocais ou instrumental limpos.Explorar a frequência.

ANDRÉ PASTE: Ouvir e conhecer o máximo de musica possível, e aprender algum programa de edição de audio (como o ableton live)



5 - Eu sinto que o público confunde o conceito "montagem" com o conceito "mashup", afinal, qual a diferença entre os dois, no seu ponto de vista?

FAROFF: O mashup é o resultado de combinar duas (ou mais) composicoes para criar uma composicao nova. É a ideia do A+B de que o pessoal tanto fala. Muitas vezes, é legal que o público perceba que se está misturando diversas músicas, para poder diferenciar o mashup de um remix. Outras vezes, surpreender o público com uma mistura completamente inusitada também é bacana.
Difícil separar os dois conceitos. Acho que o mashup é um tipo de montagem. Montagem é um conceito mais amplo. Por exemplo, produzir batidas para uma faixa pode ser montagem, mas não seria um mashup, no conceito estrito.

JOÃO BRASIL: Para mim não tem diferença. Os dois são colagens sonoras. Para mim colagem é o maior termo. Mashup A+B, montagem, microsampling, music medley, ... são apenas diferentes estilos de uma mesma linguagem.

BRUTAL REDNECK: Eu não sei o conceito exato de montagem, mas o mashup pra mim tem esse sentido de não ser só uma colagem ou montagem sonora.Tem que ter arte e expressão seja no nome da música, no contraste radical ou absoluta harmonia de estilos, na ironia conseguida misturando frases, no desenho feito para a capa de um disco virtual, no video caseiro, na performance, na marca pessoal.
Saca aquele lance de dar o play simultâneo do disco "The dark side of the moon" do Pink Floyd e no filme "O mágico de OZ"? isso pra mim é o conceito de mashup.

Eu fico mais preocupado com a confusão que alguns fazem de mashup com pirataria! (risos)

ANDRÉ PASTE: Eu acho que montagem é um nome abrasileirado pra mashup.


Obrigado a todos!

LINKS:
FAROFF: myspace.com/fanfaroff youtube.com/fanfaroff
JOÃO BRASIL: www.myspace.com/joaobrasil www.365mashups.wordpress.com
BRUTAL REDNECK: http://www.myspace.com/bandatrilobit http://soundcloud.com/brutalredneck
ANDRÉ PASTE: http://twitter.com/andrepaste http://www.myspace.com/andrepastee

3 comentários:

  1. Oi Lúcio
    Te mandei um mail, pedindo para corrigir uma informação, mas parece que não chegou, vamos por aqui mesmo. A festa teve quer adiada para maio. Adorei a entrevista. Beijos, Fabiano Moreira, parceiro local da Bootie

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  2. mt boas entrevistas, tinha que ter as suas respostas tb! =)

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